Curadoria Orgânica: Search Console ganha novo relatório de busca e AI Overviews chega a 83% das buscas de marca

AI Overviews atingiu 82,91% das buscas por marca nos EUA segundo a Ahrefs, com um salto abrupto e não explicado no fim de setembro que a DemandSphere também registrou de forma independente. No mesmo período, o Search Console passou a reportar separadamente o desempenho de busca multimodal, cobrindo buscar por imagens com Lens, Circle to Search e upload de imagem, reportando cliques mas obviamente sem queries. Mais uma semana de notícia com mudanças e complexidades novas nos dados, afetando bastante e-commerces.

O Google também mudou sua documentação pública nesta semana, definindo o que conta como 'conteúdo principal', proibindo explicitamente perfis de autor fabricados e passou a recomendar checagem manual de todo texto e metadado gerado por IA antes da publicação. O spam update de setembro, por sua vez, ganhou uma segunda onda em 30/9, com alta volatilidade nos resultados de busca.

Novidades da Busca

Google lança relatório de performance de busca multimodal no Search Console

O que aconteceu
O Search Console passou a oferecer relatórios de performance para buscas multimodais, cobrindo Google Lens, Circle to Search, uploads de imagem e o recurso 'Search this image' do Chrome, disponíveis tanto no relatório de performance quanto no de recursos de IA Generativa.
Por que importa
Pela primeira vez é possível medir separadamente o desempenho de busca visual, algo especialmente relevante para ecommerce e catálogos de produto com forte dependência de imagens.
Para quem
  • Ecommerce SEO
  • SEO técnico
  • Times de dados
O que ainda não está claro
Não há detalhes sobre limites mínimos de dados ou granularidade de query para esse novo tipo de busca.

Google detalha o que é 'main content' e proíbe perfis de autor falsos

O que aconteceu
O Google atualizou o documento de conteúdo útil e centrado nas pessoas para definir explicitamente o que conta como 'main content' e explicar como os quality raters avaliam esforço, originalidade e talento. O mesmo update adicionou um aviso contra perfis de autor fabricados, como fotos geradas por IA, nomes falsos ou credenciais inventadas, classificando isso como prática enganosa.
Por que importa
O Google está trazendo para a documentação pública critérios que antes só existiam nas Search Quality Rater Guidelines internas, sinalizando maior rigor contra conteúdo escalado sem curadoria humana e autoria forjada, prática comum em sites que tentam simular E-E-A-T.
Para quem
  • Times de conteúdo
  • SEO técnico
  • Enterprise SEO
  • Digital PR
O que ainda não está claro
Google não explica como seus sistemas automáticos identificam perfis de autor falsos na prática, nem se essas mudanças de documentação já refletem alteração real no ranqueamento.

Sem confirmação oficial. Baseado em cobertura da imprensa especializada. Não encontramos anúncio ou documentação oficial que confirme.

Google exige checagem manual de todo conteúdo gerado por IA antes de publicar

O que aconteceu
O Google atualizou seu documento de orientação sobre uso de conteúdo gerado por IA, afirmando ser crítico revisar e checar manualmente a precisão de qualquer texto criado por modelos generativos antes da publicação. A exigência agora cobre também metadados, como title tags, meta descriptions, dados estruturados e texto alternativo de imagens.
Por que importa
A mudança reforça que produção em escala via IA sem curadoria humana segue sendo tratada como risco de qualidade, em paralelo à spam update de setembro. Times que automatizaram geração de metadados precisam revisar processos hoje limitados ao corpo do texto.
Para quem
  • Times de conteúdo
  • SEO técnico
  • Ecommerce SEO
  • Enterprise SEO
O que ainda não está claro
Não está confirmado se a atualização da documentação está diretamente ligada à spam update de setembro de 2026; a data da versão anterior do documento também diverge entre as fontes.

Sem confirmação oficial. Baseado em cobertura da imprensa especializada. Não encontramos anúncio ou documentação oficial que confirme.

Segunda onda do spam update de setembro de 2026 atinge sites em 30/9

O que aconteceu
O Google confirmou que a spam update de setembro de 2026, anunciada em 24/9, teria rollout de cerca de duas semanas em vez dos dois dias habituais; Glenn Gabe reportou uma nova onda de impacto em 30/9 e 1/10, incluindo o retorno de traduções automáticas do Reddit em buscas na Itália, Alemanha, Brasil e França.
Por que importa
O formato de rollout em múltiplas ondas muda como equipes de SEO devem monitorar quedas de tráfego nas próximas semanas, e o possível retorno de conteúdo traduzido por IA do Reddit levanta dúvida sobre a consistência da aplicação das diretrizes de qualidade do Google.
Para quem
  • SEO técnico
  • Enterprise SEO
  • Digital PR
O que ainda não está claro
Não está confirmado se mais ondas de impacto vão ocorrer até o fim do rollout, nem se o retorno das traduções do Reddit é intencional por parte do Google.
Fontes

Sem confirmação oficial. Baseado em cobertura da imprensa especializada. Não encontramos anúncio ou documentação oficial que confirme.

Google revela tempos típicos de crawling, indexação e recuperação de core update

O que aconteceu
Durante o Search Central Live Deep Dive Europe em Barcelona, Gary Illyes apresentou faixas de tempo internas do Google para descoberta de URLs (~20h), reindexação (~30 dias), mudanças de canonical (1-3 semanas), mudança de site (1-3 meses) e recuperação de core update (3-6 meses, podendo levar até o próximo core update). Os slides não foram publicados oficialmente; os números vêm de registros de participantes do evento.
Por que importa
São parâmetros raros e específicos vindos diretamente do Google para calibrar expectativas sobre quanto tempo esperar antes de considerar um problema de indexação ou de recuperação pós-queda como anormal.
Para quem
  • SEO técnico
  • Enterprise SEO
  • Ecommerce SEO
O que ainda não está claro
Como as informações vêm de recapitulações de participantes e não de slides publicados pelo Google, pequenas divergências entre os relatos são possíveis.

Sem confirmação oficial. Baseado em cobertura da imprensa especializada. Não encontramos anúncio ou documentação oficial que confirme.

Processo judicial expõe dado da Microsoft: CTR cai até 93% no Bing Chat

O que aconteceu
Um documento judicial do processo de editoras de notícias contra a OpenAI e a Microsoft cita um engenheiro da OpenAI dizendo que usuários "não vão clicar" em links, e apresenta dados da Microsoft mostrando que o CTR de sites do New York Times caiu de 87% a 93% no Bing Chat em comparação à Busca Bing tradicional.
Por que importa
É um dos primeiros dados quantitativos internos, ainda que parciais e apresentados por apenas um lado do processo, sobre o quanto respostas de IA substituem cliques para o site de origem — tema central para quem mede tráfego vindo de AI Search.
Para quem
  • AI Search practitioners
  • Data & Measurement
  • Lideranças de marketing
  • Digital PR
O que ainda não está claro
Os dados vêm de um documento apresentado por apenas um lado do processo, sem metodologia completa divulgada, e o tribunal ainda não decidiu o caso.
Fontes

Sem confirmação oficial. Baseado em cobertura da imprensa especializada. Não encontramos anúncio ou documentação oficial que confirme.

Google e OpenAI transformam buscas pontuais em monitoramento contínuo

O que aconteceu
O Google liberou o monitoramento de informações do AI Mode para todos os usuários em 28 de setembro, e a OpenAI lançou no dia seguinte os agentes sempre ativos chamados 'dots', ambos mantendo a solicitação do usuário ativa mesmo após o fim da sessão.
Por que importa
A mudança empurra a busca para um modelo de instrução permanente, o que exige repensar como medir cliques e visibilidade gerados por monitoramento contínuo, não apenas por buscas pontuais.
Para quem
  • AI Search practitioners
  • Ecommerce SEO
  • Times de produto
O que ainda não está claro
Não está claro como o Search Console vai reportar, se é que vai, cliques originados por atualizações de monitoramento do AI Mode.
Fontes

Busca em E-commerce

Estudo: ChatGPT e Google AI favorecem grandes redes de varejo em recomendações de compra

O que aconteceu
Um estudo da Vaer AI encomendado pela Lightspeed Commerce, com quase meio milhão de respostas de IA, mostra que ChatGPT e Google Gemini recomendam redes nacionais em 63% a 70% dos casos sem busca na web ativa, e em 46% a 58% mesmo com busca ativa. Pedir uma loja "independente" mais que dobrou a presença de pequenos varejistas nas recomendações.
Por que importa
Evidencia que estar presente nas fontes usadas pela IA não garante ser recomendado ao consumidor — um problema estrutural para pequenos varejistas em visibilidade de IA, especialmente em buscas por produtos específicos.
Para quem
  • Ecommerce SEO
  • AI Search practitioners
  • Lideranças de marketing
O que ainda não está claro
O estudo foi encomendado por uma fornecedora de tecnologia para varejo independente (Lightspeed), o que pode influenciar o enquadramento dos resultados, e a metodologia completa não foi detalhada na reportagem.
Fontes

Sem confirmação oficial. Baseado em cobertura da imprensa especializada. Não encontramos anúncio ou documentação oficial que confirme.

Pesquisas e Experimentos

AI Overviews agora aparecem em 83% das buscas de marca, segundo a Ahrefs

O que aconteceu
Um estudo da Ahrefs com 232,8 milhões de crawls de SERP (jul-set/2026) mostra que AI Overviews aparecem em 82,91% das buscas por marca no desktop dos EUA, subindo de 61,3% em julho para 73,3% em setembro na média mensal. Dados independentes da DemandSphere confirmam um salto abrupto no fim de setembro, de cerca de 27% para mais de 90% de presença diária, sem anúncio do Google.
Por que importa
Buscas de marca eram historicamente território seguro para cliques diretos ao site da empresa; a expansão de AI Overviews para esse tipo de consulta reduz esse controle e dá mais peso a fontes de terceiros como Wikipedia, YouTube e LinkedIn na forma como a marca é apresentada.
Para quem
  • AI Search practitioners
  • Ecommerce SEO
  • Lideranças de marketing
  • Enterprise SEO
O que ainda não está claro
Nenhum dos estudos mede diretamente o impacto em CTR, e o Google não confirmou a causa do salto repentino observado no fim de setembro.
Fontes

Estudo com 122 mil citações de IA mostra que listicles batem domain authority na GEO

O que aconteceu
A agência Prosperity Media analisou 122.787 citações de IA geradas a partir de 467 prompts sobre 12 marcas australianas e encontrou que listicles dominam as citações (26,9% do total, 49% em prompts de 'melhores'), enquanto Domain Rating tem peso menor do que o esperado: páginas mais citadas têm DR mediano de 43 contra 53 das demais.
Por que importa
Para quem trabalha AI visibility, o estudo sugere que frescor, localização no título e legibilidade pesam mais do que autoridade de domínio pura — e que marcas de varejo dependem muito mais de sites de terceiros (afiliados, reviews) do que de conteúdo próprio para aparecer em respostas de IA.
Para quem
  • AI Search practitioners
  • Ecommerce SEO
  • Digital PR
  • Times de conteúdo
O que ainda não está claro
A amostra é limitada a 12 marcas de clientes e concorrentes de uma única agência no mercado australiano, e o método completo de rastreamento de citações não é detalhado no trecho disponível.
Fontes

Visibilidade em buscas de IA varia demais para ser tratada como SEO tradicional

O que aconteceu
A Search Engine Land reúne três estudos recentes (SE Ranking, SparkToro/Gumshoe e Ahrefs) mostrando baixíssima sobreposição de URLs e marcas citadas entre execuções repetidas das mesmas consultas em AI Mode, assistentes de IA e AI Overviews.
Por que importa
Auditorias pontuais de visibilidade em IA tendem a gerar conclusões erradas; é preciso tratar o monitoramento como série temporal, não como snapshot único.
Para quem
  • AI Search practitioners
  • Ecommerce SEO
  • Times de conteúdo
O que ainda não está claro
O conteúdo disponível foi truncado antes de detalhar as recomendações práticas completas para lidar com essa volatilidade.
Fontes

Google revela sistema SAFE para detectar redes de spam gerado por IA

O que aconteceu
O Google publicou um paper de três páginas descrevendo o Scaled Abuse Forensics Examiner (SAFE), sistema que usa embeddings multimodais e um LLM treinado para identificar conteúdo e redes de spam gerado por IA que violam o espírito das políticas, mesmo sem corresponder a um padrão de violação já conhecido. É o segundo sistema desse tipo revelado pelo Google em 2026, após o Scalable Cluster Termination System (S-CTS).
Por que importa
A existência de sistemas dedicados a detectar 'AI slop' em escala indica que o Google está investindo em infraestrutura específica contra spam gerado por IA, possivelmente ligada à spam update de setembro — ainda que o Google não tenha confirmado essa conexão.
Para quem
  • SEO técnico
  • Times de conteúdo
  • Enterprise SEO
O que ainda não está claro
O paper não divulga métricas de desempenho, escala de uso ou confirma formalmente a ligação com a spam update de setembro de 2026.

Google Research apresenta Retrieve-for-Train para acelerar fan-out de busca com IA

O que aconteceu
Em paper do ICML 2026, o Google Research descreve o framework Retrieve-for-Train, que usa aprendizado por reforço offline para compilar fan-outs de consulta otimizados em um retriever de difusão leve, eliminando a necessidade de grande orçamento de 'pensamento' em tempo de inferência.
Por que importa
A técnica ataca diretamente os gargalos de custo e redundância do query fan-out usado em sistemas de busca com IA, sinalizando para onde a infraestrutura de AI Overviews e AI Mode pode evoluir em termos de eficiência.
Para quem
  • AI Search practitioners
  • SEO técnico
  • Lideranças de marketing
O que ainda não está claro
O paper não confirma se ou quando essa técnica será aplicada em produtos de busca do Google em produção.

O que estou observando

"Ganhamos" uma nova maneira de medir que torna Posição Média mais obsoleta

O novo relatório multimodal do Search Console mostra pela primeira vez quantas buscas feitas com imagem (Lens, Circle to Search, upload) chegaram ao seu site, algo especialmente relevante para e-commerce. Só que ele vem sempre sem as consultas dos usuários. Sem consulta não tem palavra-chave pra acompanhar, e quem opera busca orgânica ganha um novo paradigma de medição.

É mais um movimento rumo à obsolescência da posição média, que se soma ao avanço das IAs na SERP. Nesta mesma semana, AI Overviews passou a aparecer em mais de 80% das buscas de marca nos EUA, e o AI Mode começou a transformar buscas pontuais em monitoramento contínuo, que nem sabemos se vai aparecer no Search Console.

Cada vez mais acredito que a posição média já está superada como métrica principal. O que falta é entender o que colocar no lugar.